domingo, 21 de agosto de 2016

Review de Glory - o regresso da Princesa do Pop

 Boa dia, boa tarde ou boa noite. Como preferirem.
 Tal como prometido, depois de ter feito a minha primeira review, voltei com mais outra review - desta vez Glory de +Britney Spears  um dos álbuns pop mais aguardados do ano.

A Princesa do Pop dispensa apresentações. Tendo um dos álbuns mais bem sucedidos de sempre - ...Baby One More Time - +Britney Spears depressa se tornou num dos maiores ícones da música pop, tendo deixado a sua maior marca no final dos anos 90 e no início do novo milénio ao popularizar um som diferente do eurodance, estilo este que se começara a espalhar em território norte-americano na segunda metade da década de 90. Em vez de usar a batida e som já bastante popularizados do eurodance, Britney entrou no mercado com um som mais "infantil", sensual e doce, sendo uma das responsáveis pelo início da popularização do teen pop e do bubblegum pop nesta época.

 Para além da sonoridade, a identidade visual de Britney depressa se destacou no mercado da música popular - o seu ar, sensual e inocente ao mesmo tempo, captava a atenção do público consumidor de música - o que contribuiu para a sua consolidação no cenário musical.

 Após muitos altos e baixos, Britney esta de volta com Glory - segundo a própria, representa o início de uma nova era.
(In)Felizmente, o álbum vazou na Internet antes da sua data de lançamento oficial, o que seria de esperar.  Sendo assim, eu decidi aproveitar a oportunidade para o ouvir em "primeira mão".

Sobre o álbum em si 

 Glory não é um álbum típico de dance pop. Ao contrário de Britney Jean, Glory aproxima-se mais do R&B e do soft pop em contraste com o dance e electro pop do álbum anterior. Foi-me particularmente difícil analisar o álbum como um todo em vez de "quase faixa-a-faixa" uma vez que quase todas têm as suas peculiaridades - sejam boas ou más - e não quis deixar de comentar sobre cada uma delas. 

 O álbum começa com a sugestiva "Invitation" - subjetivamente, pode ser interpretada como sendo um convite a algo que Britney nos pretende apresentar ao longo do álbum. Infelizmente não é uma faixa de todo muito consistente. O instrumental em si é relativamente bom, no entanto, os vocais de Britney foram editados de forma péssima em algumas partes da faixa, não apresentando uma sonoridade natural. Em vez disso, é claramente notória a enorme "quantidade" de autotune colocada por cima da voz de Britney.

 A segunda faixa do álbum e também lead single,"Make Me", sofre um pouco dos mesmos males da primeira faixa, no entanto a uma escala muito menor. A sonoridade do instrumental é muito mais consistente e prazerosa de se ouvir.


Já "Private Show" apresenta-nos uma sonoridade mais simples, "acústica" e próxima do rock/country onde a voz humana é usada como parte do instrumental. Tal como a primeira faixa, mas desta vez de forma bastante pior, os vocais da Britney foram pessimamente - repito, pessimamente - editados. Apesar do conceito interessante, "Private Show" pouco passa para além de um conjunto de vocais que soam tanto meio tom acima como meio tom abaixo do ideal, o que não é de todo muito confortável para os ouvidos, fazendo com que seja dispensável no álbum. Se há uma faixa no álbum que mais maltratada foi, esta é a tal.


A partir de "Man On The Moon", Glory realmente começa a "andar". Apesar de novamente a voz não soar natural, os instrumentais convencem-nos a ouvir as faixas até ao final uma vez que, ao contrário da maioria do catálogo de Britney, Glory apresenta-nos um conjunto de elementos sonoros mais orgânicos e menos computorizados, apesar de haver ligeiras quebras desta "naturalidade" em todas as faixas como por exemplo "Clumsy"  - em que o refrão é eletrónica pura, em contraste com a introdução mais minimalista - ou "Do You Wanna Come Over?". É precisamente nesta faixa que se encontra possivelmente o ponto alto do álbum. Para além dos vocais excelentemente editados quando comparados com as faixas anteriores, a batida e atmosfera lembram músicas de álbuns anteriores como Blackout ou In The Zone. Esta é a faixa com o maior potencial para ser um verdadeiro hit single.



 Continuando a viagem, o álbum continua em ritmo lento misturando sons orgânicos com eletrónica e R&B. A guitarra em "Just Like Me" prende a atenção a qualquer um, fazendo com que seja perdoável uma nota mais "sharp" do que o ideal aqui e ali, já "Love Me Down" é detentora de um refrão simples mas viciante.
A próxima grande paragem - num bom sentido - neste álbum é "Hard To Forget Ya". Acreditem, esta faixa realmente tem algo que a destaca em relação a todas as outras neste álbum."What You Need", a última faixa da versão Standard do álbum, resume-se em ser aquilo que basicamente "Private Show" deveria ter sido - uma faixa com o elemento surpresa mas simples e audível ao mesmo tempo.

 A partir daqui entramos em território Deluxe com as faixas "Better", "Change Your Mind (No Seas Cortes), "Liar", "If I'm Dancing" e "Coupure Électrique".
 No geral, estas não são más, sendo algumas viciantes até - "Better" é uma faixa dance pop excelentemente produzida, em "Change Your Mind" Britney solta um pouco de espanhol aqui e ali, "Liar" surpreende com a influência country, "If I'm Dancing" apresenta-nos um ritmo bastante mexido e uma combinação sonora bastante interessante, já "Coupure Életctrique" é uma faixa cantada totalmente em francês. No entanto, é uma faixa bastante fraca e que não acrescenta nada ao álbum a não ser mais um par de minutos de vocais mal editados e um ritmo lento pouco apelativo.


Considerações finais

Pontos positivos 

  • Sonoridade mais acústica e minimalista em comparação com os álbuns anteriores;
  • Alguns dos melhores instrumentais desde Blackout ou In The Zone;
  • Influências ecléticas;  

Pontos negativos

  • Vocais mal editados na maioria das faixas;
  • Potenciais boas faixas foram arruinadas pela fraca produção;
  • Pouco destaque dado aos elementos acústicos em certas faixas como "Clumsy" ou "Love Me Down". Elementos esses que se destacam positivamente no álbum.

NOTA FINAL - 6,7/10 


 Quando comparado com Britney Jean, Glory demonstra ser em muitos aspetos um grande avanço de facto. Apesar disto, não é de todo um álbum que se destacará a longo prazo para quem não é fã, salvo uma faixa ou outra. Alguns dos conceitos interessantes foram completamente arruinados pela produção fraca, o que é de facto uma pena.

No final de contas, Glory não é um mau álbum, mas não faz jus ao nome que lhe foi atribuído.


segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Review de "The Shadow Self" por um mero mortal

Olá a todos os que estão a ler este post.
Esta é a minha estreia enquanto "analista" sobre o que quer que seja. Como uma das minhas maiores paixões é a música, não pude deixar escapar a oportunidade de escrever sobre um álbum que sem dúvida me marcou no presente ano de 2016.

Para quem conhece bandas como Nightwish, o nome Tarja será certamente familiar. E tem excelentes motivos para o ser - a sua voz única, potente e encantadora dão resultado a um som igualmente único nos seus trabalhos. Tendo em conta que a grande maioria das faixas da sua discografia fazem parte do metal, encontrar uma voz como a de Tarja dentro deste género musical não é propriamente fácil.

No entanto, a voz de Tarja não só se sobressai no cenário da música metal como também géneros mais acústicos e tradicionais como ópera ou folk. Neste álbum ela demonstrou isso mesmo.

Sobre o álbum em si

 "The Shadow Self" demonstrou ser um upgrade em relação a "The Brightest Void". Este, por sua vez, havia demonstrado ser o trabalho melhor elaborado por Tarja e a sua equipa. Não menosprezando os álbuns anteriores, todos eles tiveram a sua importante contribuição para a construção da identidade de Tarja. "The Winter Storm" foi um começo generoso, apesar de pessoalmente eu não ser muito fã desse álbum. "What Lies Beneath" foi mais pesado que o anterior, "Colours In The Dark" foi o seu álbum mais progressivo e eclético aquando o seu lançamento. "The Brightest Void" demonstrou ser uma evolução positiva muito grande, a maior na sua carreira provavelmente, e essa evolução atingiu o auge com o lançamento da sua "sequela".

 "The Shadow Self" começa de forma relativamente generosa com a faixa Innocence - que teve direito a um vídeo bastante criativo e emotivo. Tanto a faixa como o vídeo retratam a violência doméstica e a confusão que vai dentro da cabeça da vítima. Esta não sabe se deve ignorar o que se sucede à sua volta ou se deve prosseguir com a vida e levar consigo a sua filha, sem a presença daquele que a agride e menospreza, como pode ser interpretado nos versos

"Fica perto de mim
Tudo o que sabias
Deixado ao vento
Em tempos como estes nós o fazemos
Tu e eu, respiramos, para ignorar o sentimento
(...)"

"Dentro de mim, portas se manterão abertas
Mil vidas para serem vividas
(...)"


 Continuando a viagem, o álbum apresenta-nos também alguns dos melhores agudos da carreira de Tarja na faixa Supremacy, sendo também esta uma das faixas mais pesadas do álbum. As colaborações presentes no "The Shadow Self" demonstraram ser uma mais-valia e não apenas um "enche chouriços". Demons In You surpreende com uma introdução "quente" bem como o uso de vocais guturais - algo que eu não esperava de todo num álbum desta artista. 
As surpresas não se ficam por aqui. Ao longo do álbum somos presenteados com algo que vai além do som mais clássico e vocais de ópera. The Living End e Diva entregam-nos um ambiente mais folclórico, tradicional e "europeu", sendo que The Living End dispensa completamente o metal a favor de um ambiente mais "natural". Já a faixa Diva evoca uma sensação de viagem marítima, aproximando-se bastante do folk-metal, sendo a banda sonora ideal para um filme épico sobre vikings - alguém que aproveite esta faixa, por favor. 

 Perto de terminar a viagem, o álbum mantém a consistência, voltando a apostar em sons mais sinfónicos, deixando o tradicionalismo europeu de lado. "The Shadow Self" termina com a faixa mais longa de todo o álbum, Too Many, com a duração exata de 12 minutos e 54 segundos, sendo que os versos do refrão são repetidos com bastante frequência em segundo plano - algo muito comum em músicas de soft metal e até de rock. Aqui talvez se encontre o único ponto menos bom no álbum. O problema em si não é a duração da faixa, mas o que se sucede pouco depois desta chegar a meio. 
 Após 7 minutos e 45 segundos presencia-se um silêncio inesperado (este silêncio prolongado é o ponto fraco) sendo que no minuto 10:50 somos subitamente bombardeados com um ritmo de speed metal em que a frase "This is a hit song!" é repetida várias vezes. Passados poucos segundos algo ainda mais inesperado acontece - Tarja pergunta se aquela é realmente a canção que deveria ser tocada e se aquele "é realmente o refrão?!".
 Dito isto o ritmo abranda completamente e o que se sucede a seguir é o momento mais improvável que alguma vez aconteceu na sua carreira. As guitarras e bateria param, um som eletrónico no fundo começa a surgir e passados poucos segundos damos por nós a ouvir nada mais nada menos do que um "OH MY GOD!" seguido de um bom ritmo de electro/dance pop. Mais tarde volta a batida de speed metal, desta vez ainda mais agressiva mas que dura por poucos segundos. 
O álbum termina com Tarja a dizer que tudo o que havia acabado de se suceder foi demasiado rápido para ela. 


Nota final - 10/10

Pontos fortes 
  • O facto de o álbum não ter nenhuma faixa "enche chouriços" é de se louvar. Todas as faixas estão onde deveriam estar, e em momento algum se tem a sensação de que algo está fora do sítio, com exceção do momento final do álbum.
  • Presença de elementos mais folclóricos no álbum, não se limitando a um som meramente "sinfónico" e "clássico".
  • Vocais de destaque em relação aos trabalhos anteriores.
  • Destaque para Demons In You, No Bitter End, The Living End e Diva, sendo na minha opinião as faixas mais marcantes do álbum

Pontos fracos

  • O único ponto fraco é o excessivo momento de silêncio presenciado na faixa Too Many, mas que no geral não afeta o produto final.


    E esta foi a minha primeira review. O próximo álbum que pretendo fazer review é "Glory" de Britney Spears, que sairá no final deste mês. Até à próxima!