sábado, 16 de abril de 2016

Ubuntu Phone: o que (não) aconteceu.

Já praticamente um ano se passou desde que o primeiro Ubuntu Phone foi lançado. Quem visitou, ou seguia nas redes sociais os sites de tecnologia, certamente se deparou com uma série de publicações e notícias relacionadas com o lançamento do BQ Aquaris E4.5 Ubuntu Edition exclusivamente para o mercado europeu. Eu tive a sorte de ser uma dessas pessoas que conseguiu comprar este telemóvel numa das primeiras flash sales e por isso pude ver a evolução do sistema ao longo deste ano.


Devo dizer já que o sistema evoluiu bastante ao longo deste tempo, quer em termos de performance quer em termos de consumo de bateria, houve melhoras nas apps pré-instaladas entre outros aspetos. No entanto, nem tudo foi como muitos esperavam que tivesse sido.

O texto que a seguir se segue é uma mistura de opinião própria com a visão que eu tenho acerca daqueles que compraram (ou potenciais compradores de) um Ubuntu Phone, seja ele o Aquaris E4.5 ou qualquer outro. Vale a pena apontar que o meu telemóvel anterior era o Sony Ericsson TXT, pelo que esta vai ser a opinião de quem não é muito exigente em termos de telemóveis.

Scopes

Um dos principais pontos de destaque do Ubuntu Phone são as Scopes, homescreens cuja função é agrupar conteúdo de determinada natureza. Não acho que seja necessário uma explicação muito longa do assunto, já todos deverão saber do que se trata.
A primeiro impressão que tive quando entrei em contato com este conceito foi bastante positiva, numa só página eu tinha acesso às informações mais importantes que eu esperava ver num smartphone sem necessidade de muitos toques num ecrã. No entanto, mesmo após um ano, existem certos defeitos na maioria das Scopes que fazem com que estas se tornem um pouco limitadas para quem for um pouco mais exigente - a impossibilidade de visualizar vídeos, notícias ou artigos inteiros (salvo uma exceção ou outra como o caso da Scope Euronews) ou realizar funções como, por exemplo, comentar ou colocar "gosto" numa foto do Facebook fazem com que muitos se cansem de as usar rapidamente.
Sendo assim, de momento, vejo as Scopes apenas como uma forma de aceder a determinado conteúdo de uma forma mais rápida sem necessidade de o explorar mais a fundo. Existem exceções como a Scope do Twitter (diga-se que é a melhor scope que eu já experimentei até hoje) que permite enviar tweets, colocar "gosto", retweetar, ver as tendências locais ou globais e seguir perfis, ao que parece a scope do Instagram também evoluiu bastante nesta última atualização, mas para já não uso Instagram por isso não posso testar a scope - espero que todas as outras scopes evoluam para o mesmo nível destas,. O conceito está lá, o potencial está lá, mas ainda estão mal explorados.

Ecossistema de aplicações

Infelizmente, neste aspeto, o Ubuntu sofre de um mal grande - a quase inexistência de um ecossistema de apps. Fora algumas webapps como o Facebook, Twitter ou Google+, o número de aplicações nativas (core apps) é muito reduzido. Apenas os essenciais como calendário, SMS, marcador, alarme, cliente de email e pouco mais estão disponíveis como apps nativas, quase tudo o resto só existe na forma de webapps.
Não é que isto seja mau, a webapp do Twitter é outro exemplo de como a simplicidade leva a melhor muitas vezes, no entanto, algumas webapps deixam a desejar. A webapp do Facebook que vem pré-instalada por exemplo não possibilita o envio de fotos pelo chat ou a visualização de vídeos ou gifs, o que é muito mau. A inexistência de push notifications (notificações que são enviadas pelas apps para o sistema) é outro ponto fraco, até hoje só recebi push notifications do Gmail e do Twitter. Talvez uma atualização no futuro resolva estes problemas, por enquanto só nos podemos contentar com o pouco que temos.
Um ponto que achei curioso é o facto de que algumas webapps feitas por membros da comunidade funcionam melhor do que aquelas feitas pela própria Canonical - um pouco irónico, diga-se de passagem. O melhor exemplo disso é a app do Google+ feita pela comunidade que, ao contrário da que já vem pré-instalada no telemóvel, utiliza a mais recente versão do Google+ para smartphones utilizável num navegador.


Performance geral

Este é mais um dos pontos menos positivos do sistema, pelo menos por enquanto. O desempenho geral do sistema deixa muito a desejar em comparação até com o Android - sistema que eu menosprezo por diversos motivos. Não é só um problema do meu telemóvel, é um problema do Ubuntu em si. Prova disso é o MEIZU MX 5 Ubuntu Edition, mesmo com um dos melhores hardwares da atualidade, o aparelho não flui como seria de esperar, levando a uma receção um pouco rígida por parte de alguns sites como o The Verge.

Verdade seja dita, ninguém gosta de esperar mais do que 1 ou 2 segundos para abrir um simples marcador de chamadas. Mesmo que não demore muito mais do que isso, na Hora H cada segundo parece uma eternidade e nos tempos que correm, onde as pessoas querem tudo para ontem, a demora mais do que o habitual em abrir até coisas simples pode constranger muitos.

 Já um dos slogans, por assim dizer, de um dos vídeos promocionais do Ubuntu Phone dizia "In a fast moving world, you need a fast moving phone" (Num mundo que se move depressa, precisas de um telemóvel que se mova depressa) - parece que ainda não acertaram no mundo ou então não acertaram no telemóvel. No entanto, como ainda é um projeto muito verde, feito para ser adotado apenas por desenvolvedores de apps e entusiastas, pode ser perdoado. Se este fosse um produto que seria logo apresentado ao grande público seria quase inadmissível tendo em conta o nível da concorrência. Mas leva o tempo que quiseres telemóvel, se conseguimos esperar mais de 2 anos para te ver na vida real também conseguimos esperar dois segundos para abrires o marcador de chamadas.

O que poderá/poderia acontecer

Tentando prever o futuro com uma precisão maior do que as cartas da Maya, ou não, seria de esperar ao longo do próximo ano melhoras óbvias em termos de performance, acréscimo de funcionalidades e melhoras nas Scopes. É muito provável o surgimento de mais telemóveis com Ubuntu (provavelmente topo de gama) e novos ports.

Na minha lista de desejos está o seguinte:
- Mais e melhores scopes, o Twitter já foi o início de algo;
- Surgimento de mais e melhores apps, entre as quais o Instagram, Whatsapp, Skype, Hangouts, Firefox entre outros grandes nomes;
- Melhoras urgentes na performance;
- Assistente pessoal ao estilo Siri/Cortana;
- Mais opções de personalização
- Atualização automática e dinâmica do conteúdo das scopes;
- Animações no conteúdo das scopes (por exemplo na scope de meteorologia mostrar as animações de chuva ou neve a cair, etc);
- Possibilidade de personalizar o círculo do ecrã de bloqueio de forma a poder alterar as cores que o mesmo contém;
- Possibilidade de cozinhar por mim.


E isto é, de uma forma muito resumida, aquilo que eu penso acerca do Ubuntu Phone. Apesar de alguns pequenos transtornos, acho que fiz uma excelente escolha em aventurar-me em território inexplorado e sentir uma lufada de ar fresco em termos de uso de um sistema operativo para smartphones.

Sugestão musical

A sugestão musical que proponho para este post veio de mais uma das muitas viagens que faço com relativa frequência no Spotify em busca de uma música nova por ouvir. Desta vez decidi trazer de volta a moça que há uns anos cantou A Thousand Miles. Num registo completamente diferente, mais alternativo, maternal e muito mais evoluído no sentido positivo, eis Vanessa Carlton com uma das suas melhores músicas de sempre e com um vídeo adorável e relaxante. Quem for fã de música indie não pode deixar passar esta:







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