quinta-feira, 29 de maio de 2014

Um mês com o Linux

Boa tarde internautas. Há muito tempo que não escrevo num blog por isso este post vai ser principalmente para matar saudades. Como não tenho muito jeito para grandes introduções nem nada do género acho que vou direto ao assunto: deixei de utilizar o Windows!

Sim, mas isso já se sabia pelo título, e a novidade? Na verdade isto não aconteceu por vontade própria, fui quase forçado, isto porque o meu querido Windows por obra própria decidiu travar definitivamente do nada (o mais grave foi ter perdido uns 15 jogos que tinha instalados). Andei o dia inteiro a tentar salvar o computador mas parecia que estava condenado. Como já tinha tido alguma experiência com o Linux antes, e como o Windows tinha os seus momentos em que decidia entrar no modo 98 e não me apetecia instalá-lo de novo, decidi dar uma hipótese ao Linux (isto também para não ficar sem computador).

Bem, confesso que sair disto



Para isto...



Não foi tarefa fácil, mas também nada impossível de ser feito. Porquê o Ubuntu? Porque ainda é a distribuição Linux mais popular e, de forma discutível, a mais usada no mundo e a interface Unity era bem bonita e parecia ser bastante funcional, apesar de muitos utilizadores do Ubuntu (principalmente os de longa data) não simpatizarem propriamente com ela.

Instalação e primeiras impressões


No que toca à instalação apenas digo o seguinte: simples e super rápida! Para quem esperava "perder" no mínimo meia hora na instalação ficou surpreendido porque apenas levou 10 minutos! Sim, a instalação descomplicada revelou-se um grande ponto positivo (para quem nunca tinha instalado um sistema operativo antes na vida foi muito fácil). A possibilidade de testar o sistema mesmo antes de o instalar é mais um ponto positivo, assim quem não gostar ou ficar desiludido poderá simplesmente desistir do processo.



Pronto, em pouco tempo já tinha a minha máquina pronta a usar, mas como é que eu ia usar este novo sistema? Não me lembrava de nada na altura acerca do Linux e por causa disto pensei que levaria muito tempo até saber como instalar um simples programa. Acontece que, ao contrário do que muitos ainda pensam, o Linux não é mais aquele sistema que só podia ser usado através de linhas de código e comandos complicados, a Central de Programas do Ubuntu foi uma grande conquista e veio para facilitar a vida de muita gente. E mesmo que seja necessário utilizar linhas de código? Nada que a comunidade não possa ajudar não é verdade? Acreditem, é mais fácil do que parece, é só copiar, colar, escrever a senha de administrador, dar Enter e já está! Na maioria dos casos não será preciso mais do que isto.

Impressões gerais sobre o sistema



Nas semanas seguintes foi o verdadeiro teste às funcionalidades gerais do sistema, instalar uns programas e ver as opções de personalização. Notei uma grande diferença em relação ao Windows em muitos aspetos, não que tivesse ficado mais complicado ou pior. Entre as coisas que mais gostei foi a Dash do Ubuntu - é possível pesquisar informações no pc e também na Internet, como meteorologia ou mensagens de redes sociais, através de um menu que funciona de forma semelhante ao do Windows (mas talvez de forma mais seletiva)




Pesquisa na Dash do Ubuntu

Nota-se claramente que ambos os sistemas estão otimizados para os dispositivos de ecrã de toque, embora o Windows 8 tenha levado essa ideia muito mais a sério enquanto que o Ubuntu procura um meio termo, de forma a que o Unity seja mais utilizável tanto por dispositivos sensíveis ao toque como da forma tradicional. Talvez este seja um ponto forte para o Ubuntu, pelo menos por enquanto.

Uma coisa que me desiludiu de certa forma no Ubuntu foi a existência de poucas opções de personalização, algo que não é comum no mundo Linux. A Canonical tentou a todo o custo fazer com que o utilizador adotasse o Unity, mesmo que não o quisesse. Para um novato talvez não seja problema nenhum mas para aqueles que estavam habituados ao ambiente GNOME de certeza que esta foi uma grande facada por parte da empresa e vêm no Mint uma opção de refúgio. No meu caso, como não me importo demasiado com personalização, desde que seja bonito e funcional, o Unity foi uma excelente escolha.

Programas existentes


Bem, vou começar diretamente pelo ponto mais fraco, jogos. O Linux ainda sofre de um pequeno problema que pode vir a tornar-se decisivo na hora de muitos escolherem qual o sistema operativo que pretendem utilizar. Ainda nos dias de hoje o Linux sofre quase de "exclusão" por parte do mercado dos jogos e grandes títulos acabam por não serem lançados para esta plataforma. No entanto, com a chegada da Steam ao sistema do pinguim, a situação já parece estar a mudar de figura. Títulos famosos como o DOTA 2 (provavelmente o jogo mais jogado no Steam) ou Left 4 Dead já podem ser instalados no Linux, e mesmo que não tenham sido ainda criadas versões para este sistema talvez o Wine (um emulador que imita algumas características do Windows) possa dar uma ajuda. Consegui rodar o League Of Legends pelo Wine bem como alguns jogos da saga Rayman.

Fora do mundo dos jogos a situação é muito mais agradável. Em termos produtivos, apesar da inexistência de uma versão do Microsoft Office para Linux, existem alternativas como o LibreOffice e o pacote da Microsoft pode ser instalado através do Wine caso a alternativa não seja propriamente o que queiramos. Para já o LibreOffice tem servido para tudo e já não há nenhum computador aqui que tenha o Office da Microsoft.



Para além das suites de escritório, o Ubuntu vem blindado com o Firefox e com o Empathy (cliente de mensagens instantâneas que suporta vários protocolos incluindo o MSN) mas caso seja necessário, ou apenas por opção, outros navegadores podem ser instalados, como o Opera ou o Google Chrome, e o mesmo acontece com os clientes de IM - existe uma versão (se bem que meio mal acabada de momento) do Skype para o Linux e outras alternativas como o Viber, ICQ ou o Hangouts da Google. Pessoalmente nunca experimentei o Viber nem o ICQ no Linux mas uso o Hangouts com muita frequência, principalmente para videochamadas. Neste aspeto a mudança de sistema operativo não afetou muito a forma de como eu ainda comunico com amigos ou familiares na net, mas este Skype... err... Tem que melhorar urgentemente. Felizmente uma atualização deverá estar próxima, talvez uma mudança total na interface do programa, espero. Clientes de emails (se é que alguém ainda os usa) existem uma série deles, para além de ser possível rodar o Outlook da Microsoft, existe o Thunderbird da Mozilla e outras opções como o Geary Mail ou o Evolution (equivalente ao Outlook) são boas escolhas.

Ponto fraco para o Linux talvez. Skype no sistema do pinguim.

Considerações finais


Ao fim de um mês de uso, devo dizer que gosto bastante do Ubuntu. Em apenas um mês fiz algo que nunca pensei que conseguisse fazer: viver sem o Windows (e sem os malwares). Apesar de ainda não conseguir instalar e jogar todos os jogos que tinha antes, não me senti constrangido já que pelo menos alguns dos meus preferidos consegui rodar - Rayman 3 e DOTA 2. Durante este curto espaço de tempo a curiosidade pelo mundo Linux cresceu bastante e espero num futuro próximo experimentar mais distros e, quem sabe, passar a usar outra como padrão.


Se eu consegui mudar para o Linux, muitos conseguirão. Experimentem e, se gostarem, espalhem o software livre!

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