domingo, 21 de agosto de 2016

Review de Glory - o regresso da Princesa do Pop

 Boa dia, boa tarde ou boa noite. Como preferirem.
 Tal como prometido, depois de ter feito a minha primeira review, voltei com mais outra review - desta vez Glory de +Britney Spears  um dos álbuns pop mais aguardados do ano.

A Princesa do Pop dispensa apresentações. Tendo um dos álbuns mais bem sucedidos de sempre - ...Baby One More Time - +Britney Spears depressa se tornou num dos maiores ícones da música pop, tendo deixado a sua maior marca no final dos anos 90 e no início do novo milénio ao popularizar um som diferente do eurodance, estilo este que se começara a espalhar em território norte-americano na segunda metade da década de 90. Em vez de usar a batida e som já bastante popularizados do eurodance, Britney entrou no mercado com um som mais "infantil", sensual e doce, sendo uma das responsáveis pelo início da popularização do teen pop e do bubblegum pop nesta época.

 Para além da sonoridade, a identidade visual de Britney depressa se destacou no mercado da música popular - o seu ar, sensual e inocente ao mesmo tempo, captava a atenção do público consumidor de música - o que contribuiu para a sua consolidação no cenário musical.

 Após muitos altos e baixos, Britney esta de volta com Glory - segundo a própria, representa o início de uma nova era.
(In)Felizmente, o álbum vazou na Internet antes da sua data de lançamento oficial, o que seria de esperar.  Sendo assim, eu decidi aproveitar a oportunidade para o ouvir em "primeira mão".

Sobre o álbum em si 

 Glory não é um álbum típico de dance pop. Ao contrário de Britney Jean, Glory aproxima-se mais do R&B e do soft pop em contraste com o dance e electro pop do álbum anterior. Foi-me particularmente difícil analisar o álbum como um todo em vez de "quase faixa-a-faixa" uma vez que quase todas têm as suas peculiaridades - sejam boas ou más - e não quis deixar de comentar sobre cada uma delas. 

 O álbum começa com a sugestiva "Invitation" - subjetivamente, pode ser interpretada como sendo um convite a algo que Britney nos pretende apresentar ao longo do álbum. Infelizmente não é uma faixa de todo muito consistente. O instrumental em si é relativamente bom, no entanto, os vocais de Britney foram editados de forma péssima em algumas partes da faixa, não apresentando uma sonoridade natural. Em vez disso, é claramente notória a enorme "quantidade" de autotune colocada por cima da voz de Britney.

 A segunda faixa do álbum e também lead single,"Make Me", sofre um pouco dos mesmos males da primeira faixa, no entanto a uma escala muito menor. A sonoridade do instrumental é muito mais consistente e prazerosa de se ouvir.


Já "Private Show" apresenta-nos uma sonoridade mais simples, "acústica" e próxima do rock/country onde a voz humana é usada como parte do instrumental. Tal como a primeira faixa, mas desta vez de forma bastante pior, os vocais da Britney foram pessimamente - repito, pessimamente - editados. Apesar do conceito interessante, "Private Show" pouco passa para além de um conjunto de vocais que soam tanto meio tom acima como meio tom abaixo do ideal, o que não é de todo muito confortável para os ouvidos, fazendo com que seja dispensável no álbum. Se há uma faixa no álbum que mais maltratada foi, esta é a tal.


A partir de "Man On The Moon", Glory realmente começa a "andar". Apesar de novamente a voz não soar natural, os instrumentais convencem-nos a ouvir as faixas até ao final uma vez que, ao contrário da maioria do catálogo de Britney, Glory apresenta-nos um conjunto de elementos sonoros mais orgânicos e menos computorizados, apesar de haver ligeiras quebras desta "naturalidade" em todas as faixas como por exemplo "Clumsy"  - em que o refrão é eletrónica pura, em contraste com a introdução mais minimalista - ou "Do You Wanna Come Over?". É precisamente nesta faixa que se encontra possivelmente o ponto alto do álbum. Para além dos vocais excelentemente editados quando comparados com as faixas anteriores, a batida e atmosfera lembram músicas de álbuns anteriores como Blackout ou In The Zone. Esta é a faixa com o maior potencial para ser um verdadeiro hit single.



 Continuando a viagem, o álbum continua em ritmo lento misturando sons orgânicos com eletrónica e R&B. A guitarra em "Just Like Me" prende a atenção a qualquer um, fazendo com que seja perdoável uma nota mais "sharp" do que o ideal aqui e ali, já "Love Me Down" é detentora de um refrão simples mas viciante.
A próxima grande paragem - num bom sentido - neste álbum é "Hard To Forget Ya". Acreditem, esta faixa realmente tem algo que a destaca em relação a todas as outras neste álbum."What You Need", a última faixa da versão Standard do álbum, resume-se em ser aquilo que basicamente "Private Show" deveria ter sido - uma faixa com o elemento surpresa mas simples e audível ao mesmo tempo.

 A partir daqui entramos em território Deluxe com as faixas "Better", "Change Your Mind (No Seas Cortes), "Liar", "If I'm Dancing" e "Coupure Électrique".
 No geral, estas não são más, sendo algumas viciantes até - "Better" é uma faixa dance pop excelentemente produzida, em "Change Your Mind" Britney solta um pouco de espanhol aqui e ali, "Liar" surpreende com a influência country, "If I'm Dancing" apresenta-nos um ritmo bastante mexido e uma combinação sonora bastante interessante, já "Coupure Életctrique" é uma faixa cantada totalmente em francês. No entanto, é uma faixa bastante fraca e que não acrescenta nada ao álbum a não ser mais um par de minutos de vocais mal editados e um ritmo lento pouco apelativo.


Considerações finais

Pontos positivos 

  • Sonoridade mais acústica e minimalista em comparação com os álbuns anteriores;
  • Alguns dos melhores instrumentais desde Blackout ou In The Zone;
  • Influências ecléticas;  

Pontos negativos

  • Vocais mal editados na maioria das faixas;
  • Potenciais boas faixas foram arruinadas pela fraca produção;
  • Pouco destaque dado aos elementos acústicos em certas faixas como "Clumsy" ou "Love Me Down". Elementos esses que se destacam positivamente no álbum.

NOTA FINAL - 6,5/10 


 Quando comparado com Britney Jean, Glory demonstra ser em muitos aspetos um grande avanço de facto. Apesar disto, não é de todo um álbum que se destacará a longo prazo para quem não é fã, salvo uma faixa ou outra. Alguns dos conceitos interessantes foram completamente arruinados pela produção fraca, o que é de facto uma pena.

No final de contas, Glory não é um mau álbum, mas não faz jus ao nome que lhe foi atribuído.


segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Review de "The Shadow Self" por um mero mortal

Olá a todos os que estão a ler este post.
Esta é a minha estreia enquanto "analista" sobre o que quer que seja. Como uma das minhas maiores paixões é a música, não pude deixar escapar a oportunidade de escrever sobre um álbum que sem dúvida me marcou no presente ano de 2016.

Para quem conhece bandas como Nightwish, o nome Tarja será certamente familiar. E tem excelentes motivos para o ser - a sua voz única, potente e encantadora dão resultado a um som igualmente único nos seus trabalhos. Tendo em conta que a grande maioria das faixas da sua discografia fazem parte do metal, encontrar uma voz como a de Tarja dentro deste género musical não é propriamente fácil.

No entanto, a voz de Tarja não só se sobressai no cenário da música metal como também géneros mais acústicos e tradicionais como ópera ou folk. Neste álbum ela demonstrou isso mesmo.

Sobre o álbum em si

 "The Shadow Self" demonstrou ser um upgrade em relação a "The Brightest Void". Este, por sua vez, havia demonstrado ser o trabalho melhor elaborado por Tarja e a sua equipa. Não menosprezando os álbuns anteriores, todos eles tiveram a sua importante contribuição para a construção da identidade de Tarja. "The Winter Storm" foi um começo generoso, apesar de pessoalmente eu não ser muito fã desse álbum. "What Lies Beneath" foi mais pesado que o anterior, "Colours In The Dark" foi o seu álbum mais progressivo e eclético aquando o seu lançamento. "The Brightest Void" demonstrou ser uma evolução positiva muito grande, a maior na sua carreira provavelmente, e essa evolução atingiu o auge com o lançamento da sua "sequela".

 "The Shadow Self" começa de forma relativamente generosa com a faixa Innocence - que teve direito a um vídeo bastante criativo e emotivo. Tanto a faixa como o vídeo retratam a violência doméstica e a confusão que vai dentro da cabeça da vítima. Esta não sabe se deve ignorar o que se sucede à sua volta ou se deve prosseguir com a vida e levar consigo a sua filha, sem a presença daquele que a agride e menospreza, como pode ser interpretado nos versos

"Fica perto de mim
Tudo o que sabias
Deixado ao vento
Em tempos como estes nós o fazemos
Tu e eu, respiramos, para ignorar o sentimento
(...)"

"Dentro de mim, portas se manterão abertas
Mil vidas para serem vividas
(...)"


 Continuando a viagem, o álbum apresenta-nos também alguns dos melhores agudos da carreira de Tarja na faixa Supremacy, sendo também esta uma das faixas mais pesadas do álbum. As colaborações presentes no "The Shadow Self" demonstraram ser uma mais-valia e não apenas um "enche chouriços". Demons In You surpreende com uma introdução "quente" bem como o uso de vocais guturais - algo que eu não esperava de todo num álbum desta artista. 
As surpresas não se ficam por aqui. Ao longo do álbum somos presenteados com algo que vai além do som mais clássico e vocais de ópera. The Living End e Diva entregam-nos um ambiente mais folclórico, tradicional e "europeu", sendo que The Living End dispensa completamente o metal a favor de um ambiente mais "natural". Já a faixa Diva evoca uma sensação de viagem marítima, aproximando-se bastante do folk-metal, sendo a banda sonora ideal para um filme épico sobre vikings - alguém que aproveite esta faixa, por favor. 

 Perto de terminar a viagem, o álbum mantém a consistência, voltando a apostar em sons mais sinfónicos, deixando o tradicionalismo europeu de lado. "The Shadow Self" termina com a faixa mais longa de todo o álbum, Too Many, com a duração exata de 12 minutos e 54 segundos, sendo que os versos do refrão são repetidos com bastante frequência em segundo plano - algo muito comum em músicas de soft metal e até de rock. Aqui talvez se encontre o único ponto menos bom no álbum. O problema em si não é a duração da faixa, mas o que se sucede pouco depois desta chegar a meio. 
 Após 7 minutos e 45 segundos presencia-se um silêncio inesperado (este silêncio prolongado é o ponto fraco) sendo que no minuto 10:50 somos subitamente bombardeados com um ritmo de speed metal em que a frase "This is a hit song!" é repetida várias vezes. Passados poucos segundos algo ainda mais inesperado acontece - Tarja pergunta se aquela é realmente a canção que deveria ser tocada e se aquele "é realmente o refrão?!".
 Dito isto o ritmo abranda completamente e o que se sucede a seguir é o momento mais improvável que alguma vez aconteceu na sua carreira. As guitarras e bateria param, um som eletrónico no fundo começa a surgir e passados poucos segundos damos por nós a ouvir nada mais nada menos do que um "OH MY GOD!" seguido de um bom ritmo de electro/dance pop. Mais tarde volta a batida de speed metal, desta vez ainda mais agressiva mas que dura por poucos segundos. 
O álbum termina com Tarja a dizer que tudo o que havia acabado de se suceder foi demasiado rápido para ela. 


Nota final - 10/10

Pontos fortes 
  • O facto de o álbum não ter nenhuma faixa "enche chouriços" é de se louvar. Todas as faixas estão onde deveriam estar, e em momento algum se tem a sensação de que algo está fora do sítio, com exceção do momento final do álbum.
  • Presença de elementos mais folclóricos no álbum, não se limitando a um som meramente "sinfónico" e "clássico".
  • Vocais de destaque em relação aos trabalhos anteriores.
  • Destaque para Demons In You, No Bitter End, The Living End e Diva, sendo na minha opinião as faixas mais marcantes do álbum

Pontos fracos

  • O único ponto fraco é o excessivo momento de silêncio presenciado na faixa Too Many, mas que no geral não afeta o produto final.


    E esta foi a minha primeira review. O próximo álbum que pretendo fazer review é "Glory" de Britney Spears, que sairá no final deste mês. Até à próxima!  

sexta-feira, 29 de julho de 2016

"Que notícia tão relevante"

 Eis mais um post.
 Desta vez eu vim dar a minha opinião (porque aparentemente eu quero, posso e consigo) sobre o quão má, e isto para ser bastante simpático, esta a secção de comentários nas redes sociais - quase exclusivamente o Facebook- cada vez que é publicada uma notícia de teor menos sério por parte de jornais como o JN, DN, Expresso, entre outros.
 É quase impossível não dar conta de comentários do tipo "que notícia tão relevante" ou "a sério que isto é notícia?" - detalhe para as muitas vezes em que é escrito "assério" ou "aserio" em vez de "a sério".
 Cheguei a um ponto em que, de estar tão farto de ver este tipo de comentários, decidi expor aquilo que me vai na mente. Vou tentar fazer isto de forma simplificada.

Ninguém quer saber

 Não, não estou a falar propriamente da notícia ou do post em si, estou a falar do comentário.
 Cada faixa etária, ou cada utilizador individual, tem diferentes necessidades de consumo de informação - seja ela socialmente inútil ou útil. Uma publicação relativa à boa forma física de uma determinada celebridade pode ser considerada inútil para muitos, mas para outros que terão curiosidade será útil de alguma forma. Agora, para o bem da secção de comentários, não precisam comentar que no vosso ver aquela publicação é inútil. Afinal de contas, se todos os vossos contatos do Facebook comentassem o quão inúteis são as vossas publicações de acordo com a opinião deles, não iriam gostar.
O mesmo se passa com aquilo que para uns é considerado ofensivo - para outros não é.
Deixem essas "publicações inúteis" para quem tem interesse nelas e continuem a fazer scroll down no vosso feed.

"Mas e a liberdade de expressão?"

 Sim. Liberdade de expressão é algo muito bonito e quando nos convém, mas como se costuma dizer - a liberdade de um acaba quando a de outro começa. Além disso, essa tal liberdade de expressão não implica direito de não receber resposta ou dizer qualquer barbaridade apenas porque sim.
 Existem mais pessoas que irão querer consumir essa informação (in)útil do que ver os comentários de alguém insatisfeito com um post. Convém pensar antes de publicar um comentário num suposto local público e tentar, pelo menos tentar, fazer da secção de comentários num sítio menos poluído. Basta continuar a descer no feed até encontrar alguma coisa do nosso interesse e deixar os que realmente querem saber do assunto criar uma discussão em torno disso.

 Como é que faziam há 40 anos quando só havia dois canais de televisão, rádio e alguns jornais? Uma das melhores possibilidades da Internet é a possibilidade de escolher aquilo que eu quero consumir. Se eu me deparar com algo que não me interessa é fácil encontrar algo que me satisfaça - afinal de contas ninguém é obrigado a consumir informação (in)útil.
Façam da Internet um lugar mais bonito, com mais comentários úteis e menos ódio e revolta em torno de algo desnecessário.


Sugestão musical

Para aliviar a malta revoltada ou com dor de alguma coisa, uma boa música rock costuma ajudar. Desta vez decidi trazer os Screaming Trees, uma das bandas responsáveis pelo surgimento do grunge - movimento musical que atingiu muito sucesso nos anos 90 com os Nirvana especialmente - mas que nunca chegou a ter o mesmo sucesso que outras bandas do género.
Se há uma banda que deve estar no pódio das bandas mais desvalorizadas de sempre, esta é uma delas. Até à próxima.





sábado, 16 de abril de 2016

Ubuntu Phone: o que (não) aconteceu.

Já praticamente um ano se passou desde que o primeiro Ubuntu Phone foi lançado. Quem visitou, ou seguia nas redes sociais os sites de tecnologia, certamente se deparou com uma série de publicações e notícias relacionadas com o lançamento do BQ Aquaris E4.5 Ubuntu Edition exclusivamente para o mercado europeu. Eu tive a sorte de ser uma dessas pessoas que conseguiu comprar este telemóvel numa das primeiras flash sales e por isso pude ver a evolução do sistema ao longo deste ano.


Devo dizer já que o sistema evoluiu bastante ao longo deste tempo, quer em termos de performance quer em termos de consumo de bateria, houve melhoras nas apps pré-instaladas entre outros aspetos. No entanto, nem tudo foi como muitos esperavam que tivesse sido.

O texto que a seguir se segue é uma mistura de opinião própria com a visão que eu tenho acerca daqueles que compraram (ou potenciais compradores de) um Ubuntu Phone, seja ele o Aquaris E4.5 ou qualquer outro. Vale a pena apontar que o meu telemóvel anterior era o Sony Ericsson TXT, pelo que esta vai ser a opinião de quem não é muito exigente em termos de telemóveis.

Scopes

Um dos principais pontos de destaque do Ubuntu Phone são as Scopes, homescreens cuja função é agrupar conteúdo de determinada natureza. Não acho que seja necessário uma explicação muito longa do assunto, já todos deverão saber do que se trata.
A primeiro impressão que tive quando entrei em contato com este conceito foi bastante positiva, numa só página eu tinha acesso às informações mais importantes que eu esperava ver num smartphone sem necessidade de muitos toques num ecrã. No entanto, mesmo após um ano, existem certos defeitos na maioria das Scopes que fazem com que estas se tornem um pouco limitadas para quem for um pouco mais exigente - a impossibilidade de visualizar vídeos, notícias ou artigos inteiros (salvo uma exceção ou outra como o caso da Scope Euronews) ou realizar funções como, por exemplo, comentar ou colocar "gosto" numa foto do Facebook fazem com que muitos se cansem de as usar rapidamente.
Sendo assim, de momento, vejo as Scopes apenas como uma forma de aceder a determinado conteúdo de uma forma mais rápida sem necessidade de o explorar mais a fundo. Existem exceções como a Scope do Twitter (diga-se que é a melhor scope que eu já experimentei até hoje) que permite enviar tweets, colocar "gosto", retweetar, ver as tendências locais ou globais e seguir perfis, ao que parece a scope do Instagram também evoluiu bastante nesta última atualização, mas para já não uso Instagram por isso não posso testar a scope - espero que todas as outras scopes evoluam para o mesmo nível destas,. O conceito está lá, o potencial está lá, mas ainda estão mal explorados.

Ecossistema de aplicações

Infelizmente, neste aspeto, o Ubuntu sofre de um mal grande - a quase inexistência de um ecossistema de apps. Fora algumas webapps como o Facebook, Twitter ou Google+, o número de aplicações nativas (core apps) é muito reduzido. Apenas os essenciais como calendário, SMS, marcador, alarme, cliente de email e pouco mais estão disponíveis como apps nativas, quase tudo o resto só existe na forma de webapps.
Não é que isto seja mau, a webapp do Twitter é outro exemplo de como a simplicidade leva a melhor muitas vezes, no entanto, algumas webapps deixam a desejar. A webapp do Facebook que vem pré-instalada por exemplo não possibilita o envio de fotos pelo chat ou a visualização de vídeos ou gifs, o que é muito mau. A inexistência de push notifications (notificações que são enviadas pelas apps para o sistema) é outro ponto fraco, até hoje só recebi push notifications do Gmail e do Twitter. Talvez uma atualização no futuro resolva estes problemas, por enquanto só nos podemos contentar com o pouco que temos.
Um ponto que achei curioso é o facto de que algumas webapps feitas por membros da comunidade funcionam melhor do que aquelas feitas pela própria Canonical - um pouco irónico, diga-se de passagem. O melhor exemplo disso é a app do Google+ feita pela comunidade que, ao contrário da que já vem pré-instalada no telemóvel, utiliza a mais recente versão do Google+ para smartphones utilizável num navegador.


Performance geral

Este é mais um dos pontos menos positivos do sistema, pelo menos por enquanto. O desempenho geral do sistema deixa muito a desejar em comparação até com o Android - sistema que eu menosprezo por diversos motivos. Não é só um problema do meu telemóvel, é um problema do Ubuntu em si. Prova disso é o MEIZU MX 5 Ubuntu Edition, mesmo com um dos melhores hardwares da atualidade, o aparelho não flui como seria de esperar, levando a uma receção um pouco rígida por parte de alguns sites como o The Verge.

Verdade seja dita, ninguém gosta de esperar mais do que 1 ou 2 segundos para abrir um simples marcador de chamadas. Mesmo que não demore muito mais do que isso, na Hora H cada segundo parece uma eternidade e nos tempos que correm, onde as pessoas querem tudo para ontem, a demora mais do que o habitual em abrir até coisas simples pode constranger muitos.

 Já um dos slogans, por assim dizer, de um dos vídeos promocionais do Ubuntu Phone dizia "In a fast moving world, you need a fast moving phone" (Num mundo que se move depressa, precisas de um telemóvel que se mova depressa) - parece que ainda não acertaram no mundo ou então não acertaram no telemóvel. No entanto, como ainda é um projeto muito verde, feito para ser adotado apenas por desenvolvedores de apps e entusiastas, pode ser perdoado. Se este fosse um produto que seria logo apresentado ao grande público seria quase inadmissível tendo em conta o nível da concorrência. Mas leva o tempo que quiseres telemóvel, se conseguimos esperar mais de 2 anos para te ver na vida real também conseguimos esperar dois segundos para abrires o marcador de chamadas.

O que poderá/poderia acontecer

Tentando prever o futuro com uma precisão maior do que as cartas da Maya, ou não, seria de esperar ao longo do próximo ano melhoras óbvias em termos de performance, acréscimo de funcionalidades e melhoras nas Scopes. É muito provável o surgimento de mais telemóveis com Ubuntu (provavelmente topo de gama) e novos ports.

Na minha lista de desejos está o seguinte:
- Mais e melhores scopes, o Twitter já foi o início de algo;
- Surgimento de mais e melhores apps, entre as quais o Instagram, Whatsapp, Skype, Hangouts, Firefox entre outros grandes nomes;
- Melhoras urgentes na performance;
- Assistente pessoal ao estilo Siri/Cortana;
- Mais opções de personalização
- Atualização automática e dinâmica do conteúdo das scopes;
- Animações no conteúdo das scopes (por exemplo na scope de meteorologia mostrar as animações de chuva ou neve a cair, etc);
- Possibilidade de personalizar o círculo do ecrã de bloqueio de forma a poder alterar as cores que o mesmo contém;
- Possibilidade de cozinhar por mim.


E isto é, de uma forma muito resumida, aquilo que eu penso acerca do Ubuntu Phone. Apesar de alguns pequenos transtornos, acho que fiz uma excelente escolha em aventurar-me em território inexplorado e sentir uma lufada de ar fresco em termos de uso de um sistema operativo para smartphones.

Sugestão musical

A sugestão musical que proponho para este post veio de mais uma das muitas viagens que faço com relativa frequência no Spotify em busca de uma música nova por ouvir. Desta vez decidi trazer de volta a moça que há uns anos cantou A Thousand Miles. Num registo completamente diferente, mais alternativo, maternal e muito mais evoluído no sentido positivo, eis Vanessa Carlton com uma das suas melhores músicas de sempre e com um vídeo adorável e relaxante. Quem for fã de música indie não pode deixar passar esta:







sábado, 13 de fevereiro de 2016

(Re)começar

Olá a todos e a todas que estão a ler este texto.

Quem possivelmente já visitou este blog antes já deve ter dado conta que ele nunca passou dos dois posts desde o dia em que o criei, há cerca de dois anos. O objetivo inicial seria criar um blog unicamente focado para a tecnologia, em especial para o Linux. Não seria um blog técnico, mas apenas um blog de opinião que teria possivelmente um ou dois posts por mês.

Entretanto começaram a surgir outras preocupações (faculdade) e comecei a arranjar outras formas de entretenimento que não a escrita. Pouco a pouco comecei a afastar-me deste canto e comecei a focar a minha mente na música (ainda hoje é uma das minhas maiores paixões). Como não surgiam grandes ideias para publicar aqui, deixei que este blog se tornasse num espaço fantasma.

No entanto, eu sempre senti que queria comunicar-me com o mundo de alguma forma, preferencialmente menos superficial do que no meu perfil do Twitter por exemplo. Pensei na hipótese de criar um canal no Youtube mas essa ideia nunca foi muito longe (por enquanto), uma vez que não me sinto à vontade em frente a uma câmara e não tenho grande equipamento de filmagem ou habilidades de edição de vídeo. Foi aí que decidi pegar neste blog.

Mas não decidi simplesmente voltar a tocar nisto, queria fazer uma introdução (mas uma a sério) em relação ao objetivo deste blog e também à minha pessoa bem como arranjar um design decente, o que é algo que sempre me persegue.

Sendo assim, como já referi anteriormente, este não será apenas mais um blog de tecnologia opinativo, irei de vez em quando falar sobre música ou qualquer outro tema que me desperte interesse. Decidi falar mais do que um tema porque, afinal de contas, ninguém é homogéneo em termos de interesses (pelo menos nunca conheci ninguém que só gostasse de um único tema) e a área tecnológica não é a única pela qual me interesso. Pretendia tornar deste blog o reflexo da minha personalidade, não restringi-la.
Ao contrário dos dois posts anteriores, os novos posts que publicarei terão sempre uma sugestão musical no final ou a divulgação de algum outro trabalho meu.
Não tenho previsto algum tipo de agenda para publicar algo, apenas escreverei e publicarei quando achar conveniente.

Relativamente à minha pessoa, prazer, o meu nome é Flávio e este será o reflexo do meu espírito.


E a sugestão musical para este post é:


domingo, 14 de setembro de 2014

Windows vs Linux. As pérolas.

Foi a dita gota de água. Além de matar saudades de escrever num blog vim aqui "vomitar" os meus pensamentos sobre a milenária discussão Windows versus Linux. 

Tudo começou quando eu estava nas redes sociais e vi um post sobre as novidades que recentemente vazaram sobre o Windows 9 (espero que mude de nome) e de certa forma estava à espera de comentários do tipo "Vai ser igual ao Windows 8", "Um lixo" e afins, mas o que acabei por encontrar logo no topo foi o seguinte comentário: 



Fiquei surpreso por levarem um comentário sobre o Linux muito a sério. Como é óbvio fui ver as respostas, porque sempre tem pérolas neste tipo de discussões.  Mas antes de começar a comentar as várias pérolas pergunto-me apenas qual é a lógica em comparar um kernel (motor) com um sistema operativo. 
Duas coisas que a maioria das pessoas faz mal quando fala do Linux:

- Fala como se o Linux fosse um único sistema operativo;
- Fala sem saber.

O Linux não é um sistema operativo, é um kernel. O que é um kernel? É o equivalente a um motor de um carro, um carro para funcionar precisa de um motor mas o motor por si só não vai longe e os outros constituintes formam, em conjunto com o kernel, o sistema operativo. Um vídeo de alguém mais entendido que eu sobre o assunto pode ajudar:



Acho que agora já percebem o porquê de não fazer sentido falar do Linux como um único sistema operativo. Vamos às pérolas! (Porque as respostas foram de longe melhores que o próprio comentário).





E eu que pensava que o Steam já tinha chegado ao Linux e que o PlayOnLinux era uma coisa. Claro que para quem usa o computador para ir ao Paint ou Facebook não vai saber nada sobre o assunto. Nota-se logo que nunca jogou DOTA 2 na vida. Sim, muita gente vê o Linux como um deserto no que toca a jogos e de certa forma quem use Ubuntu não vai ter acesso a tantos jogos como um utilizador Windows 7 mas isso não quer dizer que umas quantas centenas de jogos não estejam disponíveis via Steam ou não possam ser emulados. 




Internet Explorer 6? Sim, aquele browser excelente que já foi usado por 80% dos internautas! Lembram-se quando o Google Chrome, tido por muitos como o melhor browser, não chegava a 1% do mercado? E o Firefox? 
Associar quantidade com qualidade é típico de quem não percebe nada do assunto, é para desistir logo na hora.



Partindo desta linha de pensamentos todos nós temos uma casa de luxo ou um Ferrari, certo? Infelizmente coisas boas não são para todos.




sudo apt-get paciencia

A última vez que deve ter colocado as unhas numa distro Linux deve ter sido nos anos 90, ou então de facto usa uma distro destinada a amantes de linhas de código. Talvez o rapaz pense desta forma:


EXPECTATIVA 


REALIDADE 


Após ter lido praticamente todos os comentários a primeira pergunta que me surgiu em mente foi "Porquê gente???". Certamente que não são só os utilizadores do Windows que dizem barbaridades, a comunidade Linux (tal como qualquer comunidade) tem também os seus lunáticos que não vêm nada à frente a não ser pinguins e o resto é um caixote de lixo.

Não tirando mérito a nenhum dos sistemas, afinal de contas cada um usa aquilo que quer e que bem entender e em pleno 2014 este tipo de discussões deviam estar num livro do tipo "Informática para totós: o que nunca se deve fazer."

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Um mês com o Linux

Boa tarde internautas. Há muito tempo que não escrevo num blog por isso este post vai ser principalmente para matar saudades. Como não tenho muito jeito para grandes introduções nem nada do género acho que vou direto ao assunto: deixei de utilizar o Windows!

Sim, mas isso já se sabia pelo título, e a novidade? Na verdade isto não aconteceu por vontade própria, fui quase forçado, isto porque o meu querido Windows por obra própria decidiu travar definitivamente do nada (o mais grave foi ter perdido uns 15 jogos que tinha instalados). Andei o dia inteiro a tentar salvar o computador mas parecia que estava condenado. Como já tinha tido alguma experiência com o Linux antes, e como o Windows tinha os seus momentos em que decidia entrar no modo 98 e não me apetecia instalá-lo de novo, decidi dar uma hipótese ao Linux (isto também para não ficar sem computador).

Bem, confesso que sair disto



Para isto...



Não foi tarefa fácil, mas também nada impossível de ser feito. Porquê o Ubuntu? Porque ainda é a distribuição Linux mais popular e, de forma discutível, a mais usada no mundo e a interface Unity era bem bonita e parecia ser bastante funcional, apesar de muitos utilizadores do Ubuntu (principalmente os de longa data) não simpatizarem propriamente com ela.

Instalação e primeiras impressões


No que toca à instalação apenas digo o seguinte: simples e super rápida! Para quem esperava "perder" no mínimo meia hora na instalação ficou surpreendido porque apenas levou 10 minutos! Sim, a instalação descomplicada revelou-se um grande ponto positivo (para quem nunca tinha instalado um sistema operativo antes na vida foi muito fácil). A possibilidade de testar o sistema mesmo antes de o instalar é mais um ponto positivo, assim quem não gostar ou ficar desiludido poderá simplesmente desistir do processo.



Pronto, em pouco tempo já tinha a minha máquina pronta a usar, mas como é que eu ia usar este novo sistema? Não me lembrava de nada na altura acerca do Linux e por causa disto pensei que levaria muito tempo até saber como instalar um simples programa. Acontece que, ao contrário do que muitos ainda pensam, o Linux não é mais aquele sistema que só podia ser usado através de linhas de código e comandos complicados, a Central de Programas do Ubuntu foi uma grande conquista e veio para facilitar a vida de muita gente. E mesmo que seja necessário utilizar linhas de código? Nada que a comunidade não possa ajudar não é verdade? Acreditem, é mais fácil do que parece, é só copiar, colar, escrever a senha de administrador, dar Enter e já está! Na maioria dos casos não será preciso mais do que isto.

Impressões gerais sobre o sistema



Nas semanas seguintes foi o verdadeiro teste às funcionalidades gerais do sistema, instalar uns programas e ver as opções de personalização. Notei uma grande diferença em relação ao Windows em muitos aspetos, não que tivesse ficado mais complicado ou pior. Entre as coisas que mais gostei foi a Dash do Ubuntu - é possível pesquisar informações no pc e também na Internet, como meteorologia ou mensagens de redes sociais, através de um menu que funciona de forma semelhante ao do Windows (mas talvez de forma mais seletiva)




Pesquisa na Dash do Ubuntu

Nota-se claramente que ambos os sistemas estão otimizados para os dispositivos de ecrã de toque, embora o Windows 8 tenha levado essa ideia muito mais a sério enquanto que o Ubuntu procura um meio termo, de forma a que o Unity seja mais utilizável tanto por dispositivos sensíveis ao toque como da forma tradicional. Talvez este seja um ponto forte para o Ubuntu, pelo menos por enquanto.

Uma coisa que me desiludiu de certa forma no Ubuntu foi a existência de poucas opções de personalização, algo que não é comum no mundo Linux. A Canonical tentou a todo o custo fazer com que o utilizador adotasse o Unity, mesmo que não o quisesse. Para um novato talvez não seja problema nenhum mas para aqueles que estavam habituados ao ambiente GNOME de certeza que esta foi uma grande facada por parte da empresa e vêm no Mint uma opção de refúgio. No meu caso, como não me importo demasiado com personalização, desde que seja bonito e funcional, o Unity foi uma excelente escolha.

Programas existentes


Bem, vou começar diretamente pelo ponto mais fraco, jogos. O Linux ainda sofre de um pequeno problema que pode vir a tornar-se decisivo na hora de muitos escolherem qual o sistema operativo que pretendem utilizar. Ainda nos dias de hoje o Linux sofre quase de "exclusão" por parte do mercado dos jogos e grandes títulos acabam por não serem lançados para esta plataforma. No entanto, com a chegada da Steam ao sistema do pinguim, a situação já parece estar a mudar de figura. Títulos famosos como o DOTA 2 (provavelmente o jogo mais jogado no Steam) ou Left 4 Dead já podem ser instalados no Linux, e mesmo que não tenham sido ainda criadas versões para este sistema talvez o Wine (um emulador que imita algumas características do Windows) possa dar uma ajuda. Consegui rodar o League Of Legends pelo Wine bem como alguns jogos da saga Rayman.

Fora do mundo dos jogos a situação é muito mais agradável. Em termos produtivos, apesar da inexistência de uma versão do Microsoft Office para Linux, existem alternativas como o LibreOffice e o pacote da Microsoft pode ser instalado através do Wine caso a alternativa não seja propriamente o que queiramos. Para já o LibreOffice tem servido para tudo e já não há nenhum computador aqui que tenha o Office da Microsoft.



Para além das suites de escritório, o Ubuntu vem blindado com o Firefox e com o Empathy (cliente de mensagens instantâneas que suporta vários protocolos incluindo o MSN) mas caso seja necessário, ou apenas por opção, outros navegadores podem ser instalados, como o Opera ou o Google Chrome, e o mesmo acontece com os clientes de IM - existe uma versão (se bem que meio mal acabada de momento) do Skype para o Linux e outras alternativas como o Viber, ICQ ou o Hangouts da Google. Pessoalmente nunca experimentei o Viber nem o ICQ no Linux mas uso o Hangouts com muita frequência, principalmente para videochamadas. Neste aspeto a mudança de sistema operativo não afetou muito a forma de como eu ainda comunico com amigos ou familiares na net, mas este Skype... err... Tem que melhorar urgentemente. Felizmente uma atualização deverá estar próxima, talvez uma mudança total na interface do programa, espero. Clientes de emails (se é que alguém ainda os usa) existem uma série deles, para além de ser possível rodar o Outlook da Microsoft, existe o Thunderbird da Mozilla e outras opções como o Geary Mail ou o Evolution (equivalente ao Outlook) são boas escolhas.

Ponto fraco para o Linux talvez. Skype no sistema do pinguim.

Considerações finais


Ao fim de um mês de uso, devo dizer que gosto bastante do Ubuntu. Em apenas um mês fiz algo que nunca pensei que conseguisse fazer: viver sem o Windows (e sem os malwares). Apesar de ainda não conseguir instalar e jogar todos os jogos que tinha antes, não me senti constrangido já que pelo menos alguns dos meus preferidos consegui rodar - Rayman 3 e DOTA 2. Durante este curto espaço de tempo a curiosidade pelo mundo Linux cresceu bastante e espero num futuro próximo experimentar mais distros e, quem sabe, passar a usar outra como padrão.


Se eu consegui mudar para o Linux, muitos conseguirão. Experimentem e, se gostarem, espalhem o software livre!